domingo, 20 de janeiro de 2013

"Meu amor,
É tarde da noite. Estou sentado em frente à minha escrivaninha e, a não ser pelas batidas do relógio de pá, a casa está silenciosa. Você dorme no andar de cima. Apesar de ansiar pelo calor do seu corpo contra o meu, algo insiste para que eu escreva esta carta, embora não saiba muito bem por onde começar. Tampouco sei exatamente o que dizer, mas cheguei a conclusão de que, depois de tanto tempo, isso é algo que preciso fazer, não apenas por você, mas também por mim. Após três décadas, é o mímico que posso lhe dar."
O casamento -  Nicholas Sparks.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Manuscrito Sagrado dos Malakins

Poucos sabem como começou. Ou o que havia antes. Não que isso importe, realmente. Porque não houve um antes. Aconteceu em um tempo em que o próprio tempo não existia, e a matéria não passava de um grão de energia, flutuando na sombra do espaço.
Guerra. Luz e trevas. Lei e ordem. Claro e escuro. Bem e mal.
Sobreveio a explosão. Indescritível, Inimaginável. Ensurdecedora.
O universo se expandiu, lançando fragmentos na negritude, formando ondas de poeira cósmica, dando origem às dimensões paralelas. Mundos inteiros foram criados. Estrelas nasceram e morreram, nebulosas surgiram nos oceanos de plasma. Galáxias se condensaram.
Por bilhões de anos, os alados vagaram sozinhos, intocáveis no santuário infinito. E, quando o sexto dia terminou, Deus estava orgulhoso de seu trabalho. De todas as maravilhas, a espécie humana foi a que ele mais adorou: sua criação podia aprender, evoluir e amar.
Yahweh partiu para o descanso do sétimo dia e deixou aos cinco arcanjos a tarefa de comandar os celestes, reger o paraíso e servir à humanidade, sem interferir em seu curso. Mas inflados de ciúmes e luxúria, os primogênitos invejaram a raça mortal. Miguel, o Príncipe dos Anjos, decidiu que os homens não eram herdeiros dignos de Deus e resolveu tomar a terra de assalto. Enviou assassino, fomentou cataclismos, explodiu vulcões, provocou terremotos e congelou o planeta.
O paraíso se dividiu. A primeira revolta foi esmagada, e os conspiradores, expulsos. A tensão entre gigantes cresceu, culminando numa batalha devastadora, que secionou para sempre hostes divinas. Lúcifer, o Arcanjo Sombrio, desafiou a autoridade onipotente de Miguel, atraindo um terço das legiões para sua causa. Mas suas ambições eram igualmente malignas e, vencidos, os arcanjos caídos foram atirados ao inferno, onde aguardam o momento oportuno para completar sua vingança.
Milênios mais tarde, os focos da rebelião, sufocados no princípio, se reacenderiam numa nova chama. O arcanjo Gabriel, servo mais leal do Príncipe Celeste, recebeu a missão de descer à Haled para planejar uma nova catástrofe. Mas, em seus corpos terrenos, os anjos são vulneráveis aos sentimentos carnais. Pela primeira vez, ele provou o calor da alma humana e entendeu o amor que sentia por Deus. Repudiou as ordens do irmão e assim começou uma nova guerra, a guerra civil, a eterna disputa pelo paraíso, que persiste até hoje.
Reunidos no Primeiro Céu, Gabriel e os exércitos rebeldes inciaram uma gigantesca campanha contras as forças legalistas, estacionadas na quinta camada. O Quarto Céu, Acheron, transformou-se numa violenta zona de combate, onde os querubins lutam dia e noite há mais de dois mil anos.
Quando os revoltosos avançaram, derrubando fortalezas e ganhando posição, Miguel, temeroso de perder o trono, ordenou o Haniah, o Retorno, determinando que todos os seus aliados que atuavam ou estivessem no plano material regressassem imediatamente. Com o contingente inimigo aumentando, Gabriel fez o mesmo, e a Haled foi abandonada. Os vórtices de  acesso às dimensões superiores, foram fechados, restando alguns poucos, guardados por poderosos vigias.
A casta dos elohins, cuja natureza é viver entre os homens, obteve permissão especial para continuar no mundo físico, assim como outros desgarrados, que se recusaram a voltar. A única condição era que não intervissem no rumo da guerra e estivessem prontos para servir seus arcanjos quando o dever os chamasse.
Enquanto o paraíso queima num embate de sangue e espadas, os dois lados estabeleceram um armístico na terra - uma trégua frágil e delicada, que pode desmoronar a qualquer instante.
Isolada no Sexto Céu, a ordem dos Malakins traçou suas previsões.
Aquela não seria mais uma guerra. Havia começado.
Era o princípio do fim.

Filhos do Éden - Herdeiros de Atântida

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Estou cansada de viver como se já fosse uma pessoa adulta e madura. Gostaria de voltar a ser criança - uma garotinha de seis anos que caiu da bicicleta. Gostaria de fazer cara de choro e correr aos berros para a cozinha, onde minha mãe me ergueria do chão, me daria um forte abraço e beijaria meu joelho esfolado. Eu pararia de chorar e tomaria leite com chocolate para a dor passar. Essa é uma das coisas que as pessoas não nos ensinam quando falam de crescer: como lidar com as dores que não passam com um beijo.
Soul Love - À noite o céu é perfeito.

sábado, 27 de outubro de 2012

"Enquanto escrevo estas palavras, reflito sobre o Mack que sempre conheci: um sujeito bastante comum e certamente sem nada de especial, a não ser para os que o conhecem de verdade. Vai fazer 56 anos e não chama a atenção, está ligeiramente acima do peso, é meio careca, baixo e branco - uma descrição que serve para muitos homens dessas redondezas. Você provavelmente não o notaria ao seu lado enquanto ele cochila no trem que o leva à cidade para a reunião semanal de vendas. Faz a maior parte de seu trabalho num pequeno escritório em sua casa na  Wildcat Road. Vende alguma engenhoca de alta tecnologia que eu não pretendo entender: trecos eletrônicos que de algum modo fazem tudo andar mais depressa, como se a vida já não fosse rápida demais."

- A Cabana
"Mack está casado com Nan há pouco mais de 33 anos - na maior parte do tempo, eles são felizes. Diz que ela salvou sua vida e pagou um preço alto por isso. Por algum motivo que não dá pra compreender, Nan parece amá-lo agora mais do que nunca, apesar de eu ter a sensação de que ele a magoou de algum modo terrível nos primeiros anos. Acho que, assim como a maior parte das nossas feridas tem origem em nossos relacionamentos, o mesmo acontece com as curas, e sei que quem olha de fora não percebe essa bênção."
- A Cabana

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Boas Vindas

Quero dar Boas Vindas, a mais nova integrante desse blog, Ana Carolina Gasparotto *u*

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Não era primeira vez que irrompia uma discussão à mesa do café da manha na rua dos Alfeneiros número 4. O Sr. Válter Dursley fora acordado nas primeiras horas da manhã por um pio alto que vinha do quarto do seu sobrinho Harry.
 - É a terceira vez esta semana! - berrou ele à mesa - Se você não consegue controlar essa coruja, teremos que mandá-a embora!
Harry tentou explicar, mais uma vez.
 - Ela está chateada. Está acostumada a voar ao ar livre. Se ao menos pudesse solta-lá à noite...
 - Eu tenho cara de idiotas? - rosnou tio Válter, um pedaço de ovo pendurado na bigodeira. - Eu sei o que vai acontecer se você soltar essa coruja.
Ele trocou olhares assustados com sua mulher, Petúnia.
Harry tentou argumentar, mas suas palavras foram abafadas por um alto e prolongado arroto dado pelo filho do Dursley, Duda.
 - Quero mais bacon.
 - Tem mais na frigideira, fofinho - disse tia Petúnia, voltando os olhos úmidos para o filho maciço. - Precisamos alimenta-lo bem enquanto temos oportunidade... Não gosto do jeito daquela comida da escola...
 - Bobagem, Petúnia, nunca passei fome quando estive em Smeltings - disse tio Válter animado - Duda come bastante, não come, filho?
Duda, que era tão gordo que a bunda sobrava para os lados da cadeira da cozinha, sorriu e virou-se para Harry.
 - Passe a frigideira.
 - Você esqueceu a palavra magica - disse Harry irritado.
O efeito dessa simples frase no resto da família foi inacreditável. Duda ofegou e caiu da cadeira com um baque que sacudiu a cozinha inteira; a Sra. Dursley soltou um gritinho e levou a mão as mãos a boca; o Sr, Dursley levantou-se com um salto, as veias latejando nas têmporas.
 - Eu quis dizer "por favor"! - explicou Harry depressa. - Não quis dizer...
 - QUE FOI QUE JÁ LHE DISSE - trovejou o tio, borrifando saliva sobre a mesa. - COM RELAÇÃO A DIZER ESSA PALAVRA COM "M" NA NOSSA CASA?
 - Mas eu..
 - COMO SE ATREVE A AMEAÇAR DUDA! - berrou tio Válter, dando um soco na mesa.
 - Eu só...
 - EU O AVISEI! NÃO VOU TOLERAR A MENÇÃO DA SUA ANORMALIDADE DEBAIXO DO MEU TETO!
 Harry olhava do rosto purpúreo do tio paro o rosto pálido da tia, que tentava por Duda de pé.
 - Está bem - disse Harry -, esta bem...
Harry Potter e a câmara secreta